Ah pois é…
Dia 2, sem sobra de dúvidas o mais animado...
Os protagonistas desta viagem:
Edu e a sua ZZR 1200 "Bruta"
Grazina na imponente GoldWing "Traineira"
Rumo à Rota Norte — A saga continua pela N222 e N103
Texto e fotos: Edu
Há viagens que se planeiam, e outras que simplesmente acontecem. Esta pertence ao segundo tipo — aquelas em que a estrada e o karma decidem o rumo, e o destino se molda à aventura.
Depois de uma noite bem dormida, um duche madrugador e um pequeno-almoço reforçado, eu e o Grazina montámos as nossas máquinas: a minha Kawasaki ZZR 1200 “Bruta” e a imponente Honda GoldWing “Traineira”. O plano era simples — terminar a lendária N222 e seguir para a mítica N103, duas das estradas mais emblemáticas de Portugal para quem vive o motociclismo a sério.
Primeira etapa: A N222 e o imprevisto
Saímos cedo do Peso da Régua, com o Douro ainda envolto em neblina e aquele cheiro inconfundível de manhã fresca de serra. Poucos quilómetros depois, a tranquilidade da estrada foi interrompida por um acidente frontal entre duas viaturas. Um aparato sério, GNR, ambulâncias, carros de desencarceramento — e nós ali, parados cerca de uma hora. Nem as motas passavam.
Quando finalmente retomámos caminho, o Douro voltou a mostrar o seu esplendor. Paragem aqui, paragem ali, porque é impossível resistir às curvas suaves e às vinhas infinitas. Pouco antes de Almendra, concluímos a N222 com a sensação de missão cumprida.
Já em Almendra, com o sol alto, seguimos para Espanha por breves quilómetros e logo regressámos a Portugal, rumo a Freixo de Espada à Cinta.
Freixo de Espada à Cinta, Café Histórico (café às pinguinhas) e MotoMadeira
O almoço foi em Freixo de Espada a Cinta no Café Histórico, onde a simpatia dos anfitriões foi tão marcante quanto o prato do dia. No fim, faltou a água — literalmente — e o café foi servido às pinguinhas. Mal sabíamos que a falta de água voltaria à história mais à frente...
No Café histórico tivemos uma super, agradável surpresa, o amigo Migalhas já lá passara e deixara o "testemunho"! És TOP!
A Vila é linda e respira história a cada canto. Adorei!

A birra da “Bruta”
Serra acima, a puxar bem e com a N103 na mira, a “Bruta” decidiu reclamar atenção. Um som estranho debaixo do depósito obrigou-me a parar. Mau presságio.
Desliguei o motor e esperei pelo Grazina, que regressou poucos minutos depois. A frustração era evidente — a viagem parecia prestes a terminar antes de realmente começar.
Contactei a assistência em viagem e comecei a preparar-me para o inevitável reboque. Mas, após uma troca de ideias com o amigo Telmo e Grazina, surgiu a hipótese salvadora: poderia ser apenas uma vela solta. Era a faísca de esperança que precisávamos.
O “Bom Samaritano” e a oficina Moto Madeira
O Grazina desceu novamente até Freixo de Espada à Cinta em busca de ajuda. E foi então que apareceu a figura improvável desta história — o Bom Samaritano, que nos indicou a oficina Moto Madeira, à saída da vila.
Aproveitando a gravidade e o espírito aventureiro, descemos até lá, com direito a um empurrão final de 100 metros (parte do treino físico improvisado do dia).
Fomos recebidos pelo Cláudio Madeira, que de imediato se disponibilizou a ajudar. Ferramentas na mão, comecei a desmontar a “Bruta”. Diagnóstico: uma vela Denso Iridium completamente estourada. Substituímo-la por uma NGK, mas… surpresa! A ponta do cachimbo era mais grossa. Nada que assustasse o Cláudio —pegou no torno mecânico, uns minutos de engenho e… ponta refeita à medida!
Eis que entra em cana novamente o Bom Samaritano, animando o ambiente com uma troca de piadas digna de taverna motard. Entre risadas e boas histórias...
- "Então???? Não fazes uma c4r4lh0???? Perguntava o Cláudio
- "Ainda bem que não faço nada!" Retorquiu o Bom Samaritano!
- "E pagam-te para não fazeres nada?" Perguntava novamente o Cláudio
- "Todos os meses ao dia certo!" Respondia o Bom Samaritano! E ainda respondeu para nós: "Sabem porque é bom sinal que não trabalhe?
- "Não fazemos ideia!" Respondi eu e o Grazina, já meio "desconfiados"
- Porque sou o COVEIRO c4r4lh0!!!!!! Vocês vão se lembrar desta história o resto da vida, vão contar as peripécias e ajuda do mecânico, mas... Nunca se irão esquecer do Coveiro, que foi quem vos indicou a oficina!
Uma risada total na oficina que entretanto já tinha mais dois camaradas de duas rodas! Um deles vestidinho de calções e sandálias e outro rapaz mais reservado.
- Entretanto o Coveiro diz para o camarada de calções: "E tu meu c4r4lh0????? Está a Vila toda sem água e tu aqui bem vestidinho sem fazeres nada! Vai dar água à vila! Um dos rapazes que tinha chegado trabalhava na companhia das águas, que não estava a conseguir abastecer a vila! Mais uma risada geral!
Esta malta é e foi TOP! A determinado momento até um rapaz disse que não havia necessidade de estarmos a correr, pois trabalhava no Hotele havia quartos livres!
Entre tanta risada, resolvemos sincronizar os carburadores para ver se afinavamos o ralenti e... Novamente aqui o Pestinha voltou a descascar a Bruta!
Em resumo, foram 4 horas paradas na Moto Madeira que nos desenrascou para o resto da viagem, mas valeu pelo convívio, boas disposição e acima de tudo a disponibilidade do Claúdio! Bem haja, muito obrigado!
Mais do que reparação, uma lição de estrada
Entre risos e carburadores sincronizados, passaram-se quatro horas. No fim, a “Bruta” rugia novamente, pronta para continuar. Saímos da Moto Madeira com o coração leve e a sensação de que a estrada é feita de encontros improváveis e pessoas extraordinárias.
Destino: Bragança
Já com o sol a descer, seguimos rumo a Bragança. Na oficina, tinham-nos dito — em tom de brincadeira — que seriam apenas 15 minutos de viagem. Foi cerca de uma hora.
Chegados ao destino, fizemos check-in, jantámos, demos uma volta pela cidade e brindámos ao dia que começou com curvas e acabou com enormes gargalhadas. Porque é assim que deve ser: nas motas, como na vida, as melhores rotas são as que trazem boas histórias para contar.
Abraço a todos e boas curvas!



































































Boa continuação 🤣👏👍
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