Donde vem a minha paixão pelas duas rodas?
Desde que me lembro que sou gente sempre gostei de motas.
Mas não começou logo dessa forma...Vou-vos dar uma breve descrição da minha experiência/paixão pelas duas rodas:
Triciclo Sobrinca; a minha primeira aventura foi num triciclo da Sobrinca. Ok! Não eram duas rodas, eram três! Mas não deixa de ser um inicio... Era um triciclo modesto que os meus pais me ofereceram (com a ajuda de alguns bons vizinhos) tinha eu cerca de 2 anos. Ainda me recordo bem dele e dos belos momentos que passei na companhia do mesmo.
Bicicleta: a minha primeira bicicleta foi-me dada pelos meus pais tinha eu pouco mais de 4 anos.
Nunca esquecerei aquele dia... Era um dia de Santos Populares, não me recordo de qual. Era já bastante tarde, sei que andávamos a saltar a fogueira e nos petiscos. Recordo-me bem da imagem do meu pai com a bicicleta às costas. Não me lembro da marca, era laranja e daquelas que dobravam ao meio, lembro-me que tinha a marca a cromado e tinha uns desenhos do Viking Vickie.
Recordo-me ainda que os primeiros tempos não foram fáceis. Não tinha grande jeito para "montar" a menina (coisas de putos). Depois com a ajuda do meu pai lá fui perdendo o medo e lá apanhei o jeito... Lá foram sucedendo inúmeras bicicletas, umas atrás de outras...
A primeira motorizada que me lembro de me sentar. Foi pertença do meu velhote até à bem pouco tempo. Foi roubada de um telheiro lá de casa à pouco mais de 1 ano. Ainda antes de ser roubada, era ligar a chave, dar ao Kick "et voilá"! Pegava sempre à primeira!
Hoje em dia existe a precupação de respeitar as quilometragens das nossas motas (quase religiosamente), naqueles tempos, aquelas motas nem sabiam o que era isso! Não me recordo de uma única revisão feita na Zundapp! Hoje olho para trás e dá vontade de rir...

A primeira (e única) overdose, apanhei nessa moto a snifar gasolina de mistura. Adorava sentar-me em cima dela, abrir o depósito quenem chave tinha e ficar por ali a cheirar aquele odor (a infância tem destas inocências). Hoje tal é impensável, além de me chamarem de toxicodependente, teria extrema dificuldade em encontrar a velha "droga/gasolina" de mistura para alimentar o vicio. Foi onde dei os "primeiros passos" de mota, que é como quem diz as primeiras aceleradelas. Tinha um ruído inconfundivel que denunciava sempre a chegada do meu pai a casa.
Casal 4: esta era a mota do meu tio José. Com umas linhas mais recentes. Cheguei a dar umas voltitas com ele e simular umas passeatas com o pessoal da familia (conforme comprova a foto abaixo).
Honda Vision: agora sim, o meu primeiro veículo motorizado! Mas antes de chegar aí...
Tudo começou com... um acidente! Os meus pais (e principalmente a minha mâe) sempre me deixaram muito claro que não me queriam a andar de mota. Pois, como menino bem comportado (ou não) que "sempre cumpria as regras" lá quebrava essa regra de vez em quando.
Um certo dia de fim-de-semana (fatidico em todos os aspectos) íamos de mota buscar uma bola de futebol para uma peladinha. Arrancaram umas 3 ou 4 motas, está-se mesmo a ver mais que dá...E assim foi, ia a pendura do meu primo, caímos, ele partiu uma perna e eu voei (literalmente) e aterrei uns metros mais à frente. Apesar de não levar capacete (acho que desde aí nunca mais o fiz) "apenas" fiz traumatismo craneano. O pior soube ainda no hospital, através do médico que me disse que o meu SLB estava a perder com o SCP desde os primeiros instantes de jogo (golo de Balakov no 1º minuto e de Cadete mais tarde). Não era o meu dia decididamente...
Assim que tive alta o meu pai chegou-se perto de mim e disse-me: "Mais vale comprares uma motorizada, assim o único responsavel pelas tuas acções serás tu mesmo!" Nem queria acreditar.
Fomos até malogrado "Chinês" (Motobrito) e lá comprei (sem muita vontade, mas o dinheiro também não abundava) a minha 1ª motorizada uma Honda Vision de finais dos anos 80 (se a memória não me trai). Meus caros foi a pior compra da minha vida! Acho que me custou uns 70 contos. A motorizada fazia 50 kms e tinha de trocar a vela! Simplesmente brutal e pior o chinês reparava-a mas tinha de ser eu a comportar os custos (nesta altura não havia Livro de reclamações e a DECO não sei se existiria). Rapidamente conclui que não era coisa para mim...

Yamaha DT LC de 1991: numa frase: o primeiro grande amor da minha vida! Viviam-se os anos 90, mais precisamente 1992, a grande paixão do adolescentes daquela altura eram as chamadas LC's! Todos queriam ter uma! Eu não fugia à regra! O dilema era o preço! Nova não conseguia chegar lá, usada o meu pai alertva-me com o caso da Vision. Deambulava entra a LC usada ou uma Boss (outra excelente motorizada) nova. Lá encontrámos uma usada de alguém conhecido e que à partida estaria em excelentes condições. Assim foi! Julgo que paguei na altura 180 contos pela menina, mas confesso-vos que valeu todos os escudos que custou! Na primeira noite, acordei por volta das 4:00 e fui à garagem ver se a mesma estava lá! É verdade! Nem queria acreditar! No primeiro dia sonhei, no segundo acordei, peguei na mota e...caí à entrada para os Casais da Serra. Prática era zero, e a mota trazia uns pneus cardados, impróprios para estrada que ainda para ajudar à festa estava molhada!
Nessa mota caí por 3 vezes. Apenas numa delas me magoei junto com um dos meus parceiros de luta: Mário. Com esta LC vivi intensamente jornadas incrivéis que alguns podem testemunhar. Geralmente andava na LC e o meu primo Bruno de NSR. Ainda hoje me pergunto como "sobrevivemos" a tanta asneira feita! Haviam sempre dois penduras companheiros que "alinhavam" em "picanços tolos" e que nunca queriam chegar depois senão teriam que pagar o almoço/lanche ou jantar. Passámos grandes momentos que nunca esqueceremos, certo? Bruno, Valter e Mário e mais tarde com o Nuno, foram momentos incriveis com uma outra cicatriz, mas muito para recordar...
Os anos passaram, tirei a carta A e B, comprei um carro, um outro e mais outro, mas sempre com a LC por perto. Até ao dia que decidi adquirir uma moto mais potente. Mais uma vez o dinheiro não abundava e lá comprei uma...

Yamaha
XJ 600 S Diversion de 1993: uma moto não muito bonita, não muito rápida mas económica e que me permitia ir a qualquer lado sem me deixar ficar mal. Lá tive de de "desfazer" da velhinha LC (até hoje foi a que mais me custou deixar ir...). Nesta moto não devo ter feito mais de 2000 kms. Ia trabalhar, treinar e dar uns passeiozitos de fim-de-semana. Ah! E fui igualmente nesta moto que fiz um primeiro ensaio de condução à Mónica (que nem correu mal de todo). Quanto a grandes aventuras, não era moto para esse efeito. Outra curiosidade foi descobrir que após a ter vendido à já 4 anos, a mesma ainda permanecia em meu nome. Tiveste sorte Cândido, muita sorte...

Após a venda da XJ houve um interregno de cerca de 4 anos sem qualquer tipo de mota. Até que fui trabalhar como estafeta para uma empresa de Impermeabilizações. A minha ferramenta de trabalho, era nada mais nada menos que uma
XT 600 de 2005.
Uma excelente moto, que me voltou a despertar o bichinho adormecido. Assim foi trabalhei aí cerca de um ano, onde voltei a experimentar aquelas excelentes sensações que só "elas" nos podem fornecer. Tinha de voltar a ter uma minha...
Honda SLR 650 de 1999: uma motinha que fazia lembar a XT.
Condução fácil, muito fiável (tirando o problema que me deu nos travões), bastante económica, com um barulhinho muito bacano (devido aos dois escapes que possui) e principalmente muito divertida de conduzir.

O senão...era a velocidade de ponta e a "porrada" que se apanhava numa viagem um pouco mais longa. Comprei, vendi e parti para outra, porque "Parar é morrer!"
GSXR 600 SRAD de 1998: em termos motociclisticos acho que foi o segundo amor da minha vida. Uma GSXR SRAD (sempre gostei muito da mota) de 1998 (cerca de 10 anos) azulinha e branca com a pintura de origem (pequenas arranhadelas). Viria a ser o terceiro dono da menina. Escape Pulsar e um ronco de invejar, aliás, ainda hoje quando tenho o previlégio de passear com ela dá uma certa inveja aquele ruído tão caracteristico. Comprei, fiz uma boa revisão (que contou com a ajuda do amigo Telmo), fiz uns bons kms, dei umas voltinhas bacanas, foi estranho no inicio, pois estava mais habituado a motinhas de trail, mas "o hábito faz o monge". Actuamente está na posse do amigo Fábio a quem desejo desde já a maior felicidade com aquela linda menina.
GSXR 750 de 2000: a minha actual paixão... Nada acontece por acaso, tinha vendido a GSXR 600. No preciso dia em que estava a fazer a reserva de Expresso para ir buscar uma "Busa" ao Algarve, faço uma pesquisa de última hora (eram cerca de 2:30) "et voilá"! Não é que encontro a minha actual menina a um preço justo e ao que parecia em bom estado? A acrescentar a isto ainda por cima "morava" bem perto (Sobreiro). O anterior e único dono tinha posto o anúncio naquele mesmo dia. Na manha seguinte liguei logo e agendei um encontro para ver a dita! Ainda por cima tenho um primo (Miguel) que mora no Sobreiro e conhecia a mota em questão...
Assim que lhe pûs a vista em cima foi amor à primeira vista. Acordámos o valor (o Sr. Rogério não baixou um cêntimo!), selámos o acordo e no dia seguinte lá fui buscar a menina (chovia imenso, mas nem isso me conseguia fazer desanimar).
E pronto é a bela e actual história de amor que alguns de vós já conhece. Aquilo que desejo é que dure por muito e bom tempo, com muita alegria e muitos kms feitos na companhia de todos vós...
Agradeço a todos aqueles que conseguiram ler este "post" até ao fim! Alonguei-me um pouco, mas esta é a minha curta experiência com duas rodas...
Abraço a todos e boas curvas